sábado, 3 de outubro de 2009

Variações do Supino com Barra









Durante a realização do supino existem diversas musculaturas envolvidas, como peitoral maior, deltóide anterior e tríceps braquial. O músculo peitoral maior é dividido em três porções: porção clavicular (superior), porção esternocostal (medial) e porção abdominal (inferior).

Muitos profissionais e praticantes de musculação costumam dizer que as modificações na inclinação do banco enfatizam mais uma porção em detrimento das outras. Delavier (2002) relata que a porção clavicular do peitoral maior teria uma ativação maior no supino inclinado, a porção esternocostal no supino horizontal e a porção abdominal no supino declinado.


Com o intuito de verificar a participação das três porções do músculo peitoral maior entre as diferentes variações do supino, a eletromiografia é um método de investigação em biomecânica amplamente utilizado com o objetivo de mensurar a atividade elétrica de um ou vários grupamentos musculares durante a execução de um determinado exercício.
Glass e Armstrong (2007) utilizaram a eletromiografia para verificar a ativação da porção abdominal e clavicular do peitoral maior no supino inclinado (30º) e declinado (-15º) em 15 homens experientes em treinamento de força. Os autores concluíram que o supino declinado propiciou uma maior ativação da porção abdominal do peitoral maior em relação ao supino inclinado, sendo que a ativação da porção clavicular não foi diferente entre os dois exercícios analisados. Estes resultados ocorreram tanto na fase concêntrica como na fase excêntrica.
Barnett et al. (1995) utilizaram a eletromiografia para avaliar a atividade das três porções do peitoral maior em seis homens treinados. Os exercícios utilizados foram: supino horizontal, supino inclinado (40º) e supino declinado (-18º). Os exercícios foram realizados a 80% da carga máxima. A porção esternocostal do peitoral maior teve uma maior ativação no supino horizontal em relação ao supino declinado. Não existiu diferença na ativação da porção clavicular entre o supino horizontal e o supino inclinado, sendo que a porção clavicular teve uma menor ativação no supino declinado. O deltóide anterior tem um aumento de ativação conforma aumenta-se a inclinação do banco.
Desta forma, o profissional de Educação Física deve levar em consideração o que existe na literatura científica, analisando de forma mais crítica a prescrição do treinamento.
Bibliografias consultadas:
Barnett C, Kippers V, Turner P. Effects of variations of the bench press exercise on the EMG activity of five shoulder muscles. Journal Strenght Conditioning Research. 1995; 9: 222-227.
Glass SC, Armstrong T. Electromyographical activity of the pectoralis muscle during incline and decline bench presses. Journal Strenght Conditioning Research. 1997; 11: 163-167.
Fleck S, Simão R. Força: Princípios Metodológicos para o Treinamento.
Teixeira CVS, Guedes DP. Musculação: Desenvolvimento Corporal Global
Delavier, F. Guia dos Movimentos da Musculação
Prof. Brunno Arnaut
Cref: 051334-G/SP

Um comentário:

  1. Olá professor,

    Sou recém-formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2010/1 e atualmente fui efetivado em um estágio de musculação, no qual assumi um horário e alguns alunos de personal também.
    Estou construindo um blog, pela academia, para discutir assuntos relacionados a treinamento de força e outros.
    Um dos temas abordados, é sobre o supino reto e supino declinado.
    Não ficou muito claro a sua concordância com a literatura consultada.
    Gostaria se podera me responder algumas perguntas.

    O recutamento muscular é igual no supino reto e no declinado em estudos atuais?
    A relação custo benefício do supino declinado?
    É seguro executar mesmo sem saber se aluno porta algum problema cerebral?
    Gostaria de saber se posso publicar sua resposta no blog também.
    e o mais importante a minha chefe espera que apresente algum artigo/estudo comprovando ou não o risco do supino declinado, pode me indicar algo?
    Certo de ser atendido devido ao coleguismo peculiar de nossa profissão desde já agradeço.
    Anderson Cruz.
    andlui.x@gmail.com

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